O analfabeto do século XXI não será quem não souber ler e escrever, mas aquele que não souber aprender, desaprender e reaprender

Por Administrador

Edição V13N05 | Ano 2014 | Editorial Editorial | Páginas 5 até 5

Carlo Marassi

A forma de exercer a especialidade da Ortodontia vem mudando muito nos últimos anos. A cada mês, surgem artigos que trazem novas alternativas de tratamento e, algumas vezes, derrubam conceitos que pareciam imutáveis. Nós, ortodontistas clínicos, precisamos ficar atentos a essas mudanças e deixar para trás os conceitos que, à luz dos novos estudos, não são mais válidos. Precisamos encontrar o tempo para continuar aprendendo e para colocar em uso as novas tecnologias que estão se tornando disponíveis. Precisamos exercer nossa capacidade de reaprender. Hoje, temos à nossa disposição modelos digitais, que podem ser obtidos utilizando-se scanners de mesa ou scanners intrabucais. Precisamos, assim, aprender uma nova forma de fazer medições, utilizando o mouse em vez do compasso de ponta seca ou do paquímetro digital. A seção Inovações desta edição traz um protocolo para avaliação tridimensional do torque e angulação dentária nesses modelos virtuais. Não faz tantos anos assim que a Ortodontia passou a incluir fotos de sorriso em sua documentação inicial! Incrível como o foco, antes, estava apenas na oclusão do paciente, não importando tanto se o sorriso havia ficado satisfatório. Hoje seria um anacronismo não avaliar a estética do sorriso antes, durante e após o tratamento ortodôntico. Atualmente, podemos utilizar análises estéticas do sorriso e integrar a Ortodontia com outras especialidades da Odontologia, para planejar e obter melhores resultados para os pacientes. Nesta edição, contamos com um artigo que mostra como trabalhar de forma integrada na reabilitação de indivíduos com agenesia de incisivos laterais superiores, reforçando a importância da análise da estética do sorriso, bem como de um tratamento interdisciplinar. É preciso desaprender a conveniência ortodôntica de utilizar somente uma técnica de tratamento, e passar a utilizar — sempre que necessário — arcos segmentados, para obtermos movimentos dentários mais adequados. A seção Biomecânica traz interessantes considerações sobre o nivelamento dos segundos molares superiores, mostrando como um arco segmentado pode ser mais apropriado do que um arco contínuo, em determinados movimentos ortodônticos. Antes, considerávamos impossível a expansão mandibular. Nesta edição, temos um artigo que trata da distração osteogênica da mandíbula, mostrando uma forma de tratamento que pode ser empregada em casos específicos de atresia mandibular. No passado, os ortodontistas solicitavam apenas radiograias panorâmicas; hoje, aprendemos que o exame periapical completo consegue revelar informações que não podem ser adequadamente percebidas na panorâmica, como mostra o artigo que trazemos sobre esse assunto. A seção DTM e Dor Orofacial traz um novo olhar sobre a relação DTM / tratamento ortodôntico, mostrando a importância de fatores genéticos na etiologia das desordens temporomandibulares. Esta edição traz, portanto, vários artigos que nos lembram da necessidade de reaprender e de continuarmos nos alfabetizando na Ortodontia do século 21. Boa leitura!

Marassi C. Editorial. Rev Clín Ortod Dental Press. 2014 out-nov;13(5):5