Prevalência e tratamento da mordida cruzada posterior na dentição decídua

Por Administrador

Edição V02N06 | Ano 2003 | Editorial Artigo | Páginas 42 até 62

Francisco Ajalmar Maia, Nair Galvão Maia

Este trabalho traz um enfoque sobre a epidemiologia, classificação, etiologia, critérios para o diagnóstico e justificativas para o tratamento precoce da mordida cruzada posterior na dentição decídua e apresenta alguns tratamentos enfatizando os aspectos clínicos e os resultados obtidos com aparelhos bastante simples. Numa segunda parte apresenta uma pesquisa realizada numa amostra de 351 crianças de 3 a 6 anos de idade, em fase de dentição decídua, para verificar a prevalência da mordida cruzada posterior nessa população, permitindo concluir que: 1) A mordida cruzada posterior atinge 11,11% das crianças pré-escolares na nossa região; participando com 19,4% entre todas as anomalias que atingem a criança nesta fase; teve uma diferença significativa no gênero masculino (59%); o lado direito foi o mais afetado (26,3%), seguido pelo lado esquerdo com 18,8% e as mordidas cruzadas posteriores bilaterais ocorreram em 3,7%. 2) A mordida cruzada posterior na maioria dos casos se apresenta com desvio da linha mediana (51,27%); e 48,72% sem desvio; quanto à sua origem 48,7% são funcionais, 41% dentárias e 10,3% esqueléticas; os hábitos bucais estando presentes em 30,6% dos casos. 3) A mordida cruzada posterior aparece associada com mordida cruzada anterior em 35,9% dos casos; se distribui em 51,28% nas más oclusões de Classe I, 35,46% nas Classes II e em 10,26% nas Classes III. Os resultados alcançados em muitos casos clínicos de mordidas cruzadas posteriores, que poderiam ter um agravamento com o decorrer da idade, cuidados em fase de dentição decídua e acompanhados até o estabelecimento da dentição permanente, levam a concluir que: 4) Os aparelhos ortodônticos interceptadores (fixos ou removíveis) quando bem utilizados, produzem resultados positivos, desde que sejam corretamente indicados, obedecendo a um preciso diagnóstico e um plano de tratamento adequado.